terça-feira, 14 de junho de 2011

2o (e último) filminho do findi: FRIDA

Classificação pessoal:
#buchadadebode#

Desculpem-me os fãs da história, mas ela me deu náuseas, muitas vezes...
Me chocou.
Me escandalizou.
Na MINHA cabeça, não concebo histórias de "amor" como aquela...
Mas é a história de Frida Kahlo, não a minha.
#aindabem#

No entanto, o filme é comovente em muitos aspectos.
Aí vai o trailer:

Mas, para mim, definitivamente, o bom de tudo foi ter descoberto a OBRA de Frida...
Não, eu não conhecia seus quadros.
:(
Ou melhor, já devo ter visto suas pinturas, sim, mas não havia associado a tela à artista.
E fiquei encantada com um monte delas...
Queria ter esse dom, o dom de expressar meus sentimentos assim, de uma forma tão visceral, através da pintura... Juro que queria... Quando criança, eu desenhava muito bem, sem falsa modéstia. Mas não desenvolvi o dom... Hoje, lamento. De verdade.

Enfim... Um dos quadros mais pungentes é este:
"Gostaria de me deter aqui num quadro da pintora, obra inesgotável que sintetiza a sua história. Trata-se de 'O Hospital Henry Ford' ou 'A cama voadora', de 1932.

Como se sabe, em 1925, no choque entre o ônibus em que viajava e um bonde, Frida Kahlo teve a região da pélvis trespassada por uma barra de ferro que rompeu-lhe a coluna vertebral em três lugares na região lombar, além de fraturar-lhe vários outros ossos. Essa fatalidade mudou completamente o curso de sua existência, fazendo com que fosse abandonado seu projeto de tornar-se médica. Como agravante, ela foi informada de que jamais poderia ter filhos através de parto normal, recebendo a recomendação de não engravidar.
Cinco anos depois, no entanto, já casada com Rivera, Frida engravidou e teve de realizar um aborto por razões médicas. Em 1932, por ocasião de uma temporada de trabalho do pintor nos Estados Unidos, ela ficou grávida novamente. A despeito das recomendações dos médicos e da oposição de Diego, Frida resolveu levar adiante a gestação e ter o filho. Foi uma tremenda frustração quando, poucos meses depois, ela perdeu a criança que tanto desejava. Essa experiência traumática foi retratada posteriormente pela pintora no quadro a ser brevemente analisado aqui.
A obra mostra Frida Kahlo completamente sozinha, deitada no leito do hospital, localizado na cidade de Detroit, no momento em que ocorre a perda do filho. A cama é bastante grande em relação a seu corpo, como a ressaltar sua pequenez, fragilidade e desamparo. A completa nudez da artista – bem como sua solidão – remete a um momento essencial, de encontro com seu eu profundo, em que todas as máscaras sociais caíram. Inscrições na frente e na lateral do leito situam com precisão o acontecimento no tempo e no espaço: 'Julho de 1932, FK', 'Hospital Henry Ford, Detroit'.
Frida está bem à beira da cama, significativamente bastante próxima de uma queda. Tem a barriga protuberante de sua gravidez de três meses. O lençol branco sob seu corpo está muito ensangüentado, não somente indicando a perda física do bebê, mas sugerindo o esvair-se da própria vida da artista. De seu olho esquerdo escorre uma enorme lágrima, o que por si só representa a imensa dor de uma mãe pela perda do filho. O rosto escuro e sombrio exprime toda a desesperança que ela traz na alma.
Pela mão esquerda da pintora – também representada em grande tamanho – passam três fitas vermelhas que lembram veias ou artérias, ligando três objetos que flutuam no ar a outros três posicionados no chão, todos eles símbolos de sua gravidez falhada e de sua impossibilidade de ser mãe. No ar está um modelo anatômico da parte inferior da coluna vertebral e do sistema reprodutor feminino que se liga a uma pélvis óssea no chão, à direita, testemunhos da causa corporal do aborto sofrido. Em seguida, um feto do sexo masculino, também de enorme tamanho, como a representar sua importância no universo afetivo da mãe, está ligado a uma flor violeta murcha no chão. O bebê morto e a flor sem nenhuma vitalidade são imagens eloqüentes da perda sofrida pela artista. Por fim, um caramujo, animal que nas culturas indígenas mexicanas representa a concepção, a gravidez e o nascimento, liga-se a um esterilizador a vapor tal como os que eram utilizados em hospitais nos anos 1930 para selar tanques de gás ou de ar comprimido. Provavelmente Frida fez uma associação entre o mecanismo de selar e seu próprio sistema reprodutor defeituoso, que não lhe permitia completar com êxito uma gravidez.
Note-se ainda que ela está deitada no lado esquerdo da cama e que toda a cena é vista em referência à esquerda da personagem central. Essa insistência no lado esquerdo denota a natureza gauche de Frida, muito especialmente no que tange a sua impossibilidade de levar uma vida 'normal'.
A solidão, a vulnerabilidade e a desolação da pintora são levadas ao paroxismo quando se observa a paisagem em que ela está inserida. No primeiro plano, à parte do horizonte industrial e desprovido de qualquer referência humana representado ao fundo, está uma planície desértica em completa aridez. Nessa planície, que reflete o estado de espírito de Frida, a cama aparenta flutuar, razão do título do quadro. Já o complexo industrial, reino do progresso tecnológico e da competição capitalista, em sua frieza, contrasta grandemente com a tragédia da artista, com sua destinação humana. O céu nublado e cinzento parece anunciar a iminência de chuva."
(ANÁLISE RETIRADA DAQUI)