sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

MELANCOLIA

Ontem, aproveitando o feriadinho no Judiciário,
assisti, com uma amiga, antes que saísse de cartaz,
o MELANCOLIA,
do Lars Von Trier
cineasta dinamarquês que causou aquela mega polêmica,
no último Festival de Cannes,
ao dizer que "entendia" Hitler.
Pois bem, o filme não tem nada a ver com tudo isso,
mas, independentemente das desculpas pedidas,
ele (o Lars) foi expulso do evento.
Enfim...
Polêmicas à parte, vamos ao filme:
"A primeira parte se passa numa única noite: a do casamento de Justine (Kirsten, excelente), realizado no clube de golfe de seu arrogante cunhado, John (Kiefer Sutherland), marido da irmã dela, Claire (Charlotte Gainsbourg). O clima de felicidade artificial, quase histérica, se dilui conforme a noiva mergulha num estado de melancolia paralisante. “Quando tento caminhar, sinto um fio de lã, cinza e grosso, enrolado às minhas pernas”, ela confidencia à mãe, Gaby (Charlotte Rampling). Na segunda parte, uma abatida Justine volta ao local, onde sua irmã vive ansiosa em razão de Melancolia, um imenso planeta azul que está se aproximando ameaçadoramente da Terra. Diante da iminência da catástrofe, caberá à deprimida protagonista se revelar sábia e forte para lidar com a situação. Segundo a lógica de Lars von Trier, o caos nos reduz ao que realmente somos. E só o fim do mundo coloca as coisas em seus devidos lugares."

E, aqui, uma entrevista com o próprio diretor:

O filme é MUITO INTERESSANTE,
não há a menor dúvida.
Um pouco cansativo (poderia, na minha opinião, ter sido mais curto), mas - ainda assim - é bastante peculiar a abordagem utilizada, especialmente porque a melancolia que ameaça (e, por fim, atinge) todos os personagens, de uma maneira ou de outra, além de potencializar sentimentos/características preexistentes, é - como ficou bem demonstrado na entrevista - um traço marcante da personalidade do próprio cineasta que, mesmo sem querer, acaba dando uma "catequese ao avesso", ao apresentar os vazios e conflitos experimentados, diante da obviedade do fim, por personagens que não manifestam qualquer espécie de crença numa dimensão divina ou transcendental.