sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

PINTURA GÓTICA ITALIANA

Aproveitando, anteontem, a ida ao CasaPark,
fomos - também - à LIVRARIA CULTURA (óóóóóóóbvio!!! kkkk)
tomar chai latte (coisa deliciosa, gente...)
e conferir as novidades.
;)
Foi quando me deparei com este livro aqui,
que me EN-LOU-QUE-CEU
e, por isso, acabei ganhando uma parte dele
como presente antecipado de aniversário
(eu amo minha amiga Heloísa!!!!):
O livro, da Editora SCALA, é grandão (40x35cm),
com 320 páginas, quase todas de pinturas!!!
E, além disso, traz as explicações (estas são bem suscintas, já que o foco é, mesmo, a obra em si) em 4 idiomas (espanhol, italiano, português e inglês).
AMEI, AMEI, AMEI, AMEI!!!!
SUPER RECOMENDO para quem curte ARTE SACRA 
e não está à procura de aprofundamento literário e, sim, visual!!!!

Para deixar-lhes o gostinho, algumas das mais interessantes:

Coppo di Marcovaldo (1225-1276)
Juízo Final: o inferno
Firenze
Página 11
*Vai encarar???
Tô fora.


Giotto di Bondone (1267-1337)
Juízo Universal
Cappella Scrovegni, Padova
Página 51
*Este é riquíssimo em detalhes.
Pena que não dá para ampliar muito por aqui...


Giotto di Bondone (1267-1337)
Os estigmas de São Francisco de Assis
Museu do Louvre, Paris
Página 74
*Amo o tema dos estigmas,
então, este é um dos meus preferidos.


Ambrogio Lorenzetti (1290-1348)
Virgem do Leite
Museu Diocesano, Siena
Página 128
*Particularmente não gosto desse tipo de representação, até porque acho o fim do mundo uma mulher que amamenta assim, com os peitchos de fora, em público.
Me poupe...
Amamente seu pimpolho (é certo e saudável!), mas...
bote um paninho aí, filhota,
que não sou obrigada a ver seu material assim exposto
e, principalmente, se meu noivo estiver assistindo a cena (aff...), ok? 
(Sim, eu sou ciumenta. Ponto.)
Mas, aqui, trata-se da Virgem Maria.
Então, a coisa muda de figura!
Mas não foi por isso que escolhi o quadro não:
é porque, durante boa parte da Idade Média, esse tipo de representação foi proibida, pela Igreja, de ser mostrada. Novos quadros, com essa temática, não podiam ser pintados. E os antigos foram destruídos ou escondidos. A Igreja entendia que eles eram sensuais demais para o âmbito religioso. Só depois de muitos séculos foram "absolvidos" e, os que ainda estavam preservados, puderam ser expostos novamente.
;)


Guariento di Arpo (1310-1370)
Anjo que pesa as almas
Museu Civici, Padova
Página 190
*Ai, que aflição esse demônio roubando a alma...
:(


Giusto de' Menabuoi (1330-1390)
O Paraíso
Battistero, Padova
Página 198
*Um dos meus favoritos:
o Pantocrator e a Assembléia dos Santos!!!!
Lindoooooooooo!!!!


Agnolo Gaddi (1350-1396)
A descoberta da Cruz
Santa Croce, Firenze
Página 221
*Esse aqui é bem legal!!!
Não sei se todo mundo sabe, mas foi Santa Helena, a mãe do Imperador Constantino (o do Edito de Milão), quem descobriu qual era a verdadeira cruz onde Cristo havia sido pregado. Explico: quando ela se converteu ao cristianismo, fez vários atos de caridade (ela realmente cuidava dos pobres, vendo, neles, o próprio Cristo) e construiu diversas igrejas em Roma e na Terra Santa. Numa de suas viagens a Jerusalém, ela teve visões que lhe apontavam para 3 cruzes: uma delas seria a verdadeira. E, para isso, ela pediu que trouxessem 3 paralíticos e os deitassem nas 3 cruzes. Um paralítico ficou imediatamente curado e levantou-se. Aquela era a cruz de Cristo! Em 395 (65 anos após sua morte), Santo Ambrósio de Milão fez um sermão no qual disse que "Helena havia encontrado a cruz onde Jesus tinha sido crucificado, mas também tinha encontrado aquele que alí tinha sido morto, ou seja Jesus. Ela, disse São Ambrósio,  tinha adorado não a madeira mas sim o Rei que ali tinha sido pendurado e que assim ela havia encontrado a imortalidade".


Sassetta (Stefano di Giovanni - 1392-1451)
Santo Antão espancado pelos demônios
Pinacoteca Nazionale, Siena
Página 278
*Santo Antão é um dos Padres do Deserto, egípcio nascido entre 250 e 260. De família camponesa, porém abastada, por volta dos 20 anos, com a morte dos pais, vende tudo, assegura a subsistência da irmã mais jovem e, despojado de bens materiais, recolhe-se, num primeiro momento, à vida solitária próximo à sua aldeia natal, para um encontro pessoal com Jesus Cristo, através da meditação, da contemplação e do estudo das Escrituras. Lá começam os serios e constantes ataques dos demônios, que lhe acompanhariam por toda a vida, passando pela estada no cemitério (onde morou num mausoléu) e, por fim, no deserto, onde tornaram-se mais fortes. Passa 20 anos no deserto e acaba criando uma pequena comunidade de monges. Morre em 356.


Jean Fouquet (1420-1481)
A Santíssima Trindade e todos os Santos
Museu Condé, Chantilly
Página 311
*Por fim, esta representação da Trindade, como "3 Cristos", e não como popularmente conhecemos: Deus Pai como um senhor de barbas brancas, Jesus (como Jesus... kkkkkk) e o Espírito Santo como uma pomba. Quando estive, no ano passado, no Palácio Arquiepiscopal de Lima/Peru, havia um quadro semelhante a esse. Eu nunca tinha visto esse tipo de representação da Trindade. Explicaram-me que essas são as representações mais "catequéticas" da Trindade. Serviam, principalmente, para passar a fé ao povo, numa época de precário acesso às Escrituras. Então, nada melhor para explicar "um único Deus em três pessoas" do que apresentá-las, todas, com o semblante de Jesus!!!
Interessante, né?

ESPERO QUE TENHAM GOSTADO!!!
E, mais uma vez:
SUPER RECOMENDO O LIVRO!!!