segunda-feira, 30 de maio de 2016

CCBB - A LÍNGUA EM PEDAÇOS

"Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar."


Fomos assistir ontem, no CCBB, ao espetáculo teatral A LÍNGUA EM PEDAÇOS, com texto original do espanhol Juan Mayorga e dirigida por Elias Andreato, baseado em O Livro da Vida, autobiografia de Santa Teresa d'Ávila, que, mística, poetisa (já disse que não falo "poeta"?), escritora e fundadora das "Carmelitas Descalças", foi - posteriormente - reconhecida como Doutora da Igreja. Aliás, uma das pouquíssimas mulheres que receberam essa honra.

Em cena, apenas 2 (brilhantes!) atores, Ana Cecília Costa e Joca Andreazza, representando um diálogo fictício (porém embasado em contexto e citações verídicos) ocorrido na cozinha do Mosteiro São José - o primeiro fundado por Teresa, em 1562 -, entre a Santa e um inquisidor (sim, estamos falando dos tempos da Inquisição!) incumbido de aferir a veracidade das acusações contra ela, envolvendo, entre outras coisas, suas visões místicas controversas.

O que dizer da obra? 
O que dizer daqueles pouco mais de 60 minutos em que fui tomada por um êxtase diante de diálogos tão bem interpretados? 
O que dizer de 2 atores que, em poucos minutos, conseguiram traduzir toda a tensão de um (belíssimo) embate entre distintas percepções do mesmo Deus?



Não há o que dizer.

Ao final, minha língua também estava em pedaços, incapaz de tecer qualquer tipo de comentário. Só me restaram as lágrimas, as mãos trêmulas e, sobretudo, a imensa gratidão a Deus por deixar-se revelar, de forma tão estupenda, nesses dois personagens reais, concretos, históricos, e profundamente - cada um a seu modo - comprometidos com a busca pela Verdade!!!!

SE VOCÊ ESTIVER EM BRASÍLIA ATÉ O PRÓXIMO DIA 12 DE JUNHO, 
CORRA E COMPRE SEU INGRESSO!

É sério... Não perca essa chance!

Como disse o próprio autor, 
"Teresa é necessária. Seu interesse para os dias atuais independe de crença. Mesmo um ateu, que não acredita em sua mística, pode se sentir fascinado pelo ser humano de Teresa. Pode e deve sentir-se tocado por essa personagem. E sempre será menos importante o que dizemos sobre Teresa do que ela possa dizer sobre nós."