quarta-feira, 29 de junho de 2016

COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ


Bem.... Filmes fofos, definitivamente, não são muito a minha praia. Mas, ontem, resolvi sair da minha zona de conforto cinematográfico e, com o maridão, fui assistir ao tal COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ, película adaptada do romance homônimo, da londrina Jojo Moyes.

Tá.
Agora, ATENÇÃO!!!!


Se você ainda não assistiu ao filme, e detesta que te contem o final, 
PARE AGORA!!!! 
Tô avisando! 
Depois, não venha “jogar pedra na Geni”, porque eu vou rasgar o verbo!

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Beleza, já que você ainda segue aqui, vamos lá: eu já havia assistido a alguns vídeos falando sobre o livro-base e, obviamente, sabia que, em algum momento, a coisa descambaria para a questão do suicídio assistido. Como o estudo deste tema sempre me interessou, resolvi arriscar. E, embora o trailer do filme tenha me parecido extremamente idiota infantil, imaginei que essa infantilidade fosse ficar restrita apenas ao início da trama. Mas não foi isso o que ocorreu. Não mesmo. Não sei como se dá o desenrolar da narrativa no livro (porque não o li e NEM PRETENDO LÊ-LO), mas, definitivamente, no filme, o tema foi tratado de uma forma irritantemente superficial

Ok, eu sei que tem gente que chorou litros no cinema. 
Mas, sinceramente, ou essa gente é emotiva demais da conta, ou está precisando de obras mais densas e consistentes. Ou ambas.

Resumindo, o que está classificado, oficialmente, como romance/drama, foi tratado, na prática, como uma comédia romântica. E com uma atriz (Emilia Clarke, a mesma que faz a Daenerys, do Game of Thrones, que eu aaaaaaaaaamo) que, aqui, não me convenceu em NADIKA-DE-NADA quando chegou, efetivamente, o momento de ela demonstrar que não era apenas uma tonta atrapalhada engraçadinha, mas uma mulher apaixonada por um homem que havia... desistido de viver.

Abro um parêntese importante: como cristã que sou (ou pretendo tornar-me, um dia!), toda a análise que faço dos livros que leio e dos filmes ou peças teatrais que assisto vem revestida das minhas convicções religiosas, é claro. Não tenho como fugir disso (e nem o quero). E, nessa perspectiva, eu teria muito o que dizer sobre a questão do suicídio assistido e do pecado mortal que é o de atentar contra a vida (de outrem ou a sua própria), englobando aqui, obviamente, a participação de terceiros nesse intento (já que não se trata de um suicídio convencional, mas de um suicídio assistido). E, também nessa mesmíssima perspectiva, eu teria muito a dizer sobre a imensa misericórdia de Deus face às decisões (às vezes, totalmente equivocadas) que tomamos diante do nosso próprio sofrimento ou das pessoas que amamos. O que é certo é certo; o que é errado é errado. Sem relativismos, que relativismos não salvam. "Que seu sim seja sim e seu não seja não; o que passa disso, vem do maligno", já dizia Jesus Cristo. Então, atentar contra a vida (ou ajudar/apoiar alguém a fazê-lo) é SEMPRE errado, é SEMPRE pecado, é SEMPRE uma ruptura com o projeto de amor que Deus tem para o ser humano. Mas, em contrapartida, é inegável que toda a gama de circunstâncias e sentimentos envolvidos nessa decisão somente por DEUS é, em plenitude, conhecida; de modo que somente a ELE cabe o julgamento, porque, de fato, ELE é o único que perscruta os corações. É fato que a dor que a uns esmaga, a outros fortalece. Como, então, mensurar o sofrimento alheio? Por isso, não vou seguir por este caminho, até porque, neste filme, não foram abordadas, em momento algum, questões religiosas de quaisquer naturezas. Fecho o parêntese.

Entretanto, mesmo não tendo sido abordadas ESSAS questões, é inegável que a terrível decisão de tirar a própria vida - especialmente neste caso em que, diante da tetraplegia, isso não seria possível sozinho e dependeria da aprovação e da ajuda de terceiros - vem revestida de uma altíssima carga dramática, de modo que me parece perverso (e muito perigoso) que um tema de tamanha relevância e complexidade tenha sido tratado com tanta banalidade “leveza”.

Se, após uma sessão de um MAR ADENTRO ou de um MENINA DE OURO, por exemplo, saíamos todos sem chão, com fortíssimos questionamentos sobre o sentido da existência, querendo debater, com seriedade, sobre o assunto, agora, neste COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ, enxugadas as lágrimas dos mais piegas, vamos todos ao Mc Donald's mais próximo pedir a promoção que se encaixe no cupom disponível e discutir sobre a classificação do nosso time de futebol no campeonato da vez. 

Afinal, refletir sobre o quê, se o que foi passado ali é que tudo foi muito bem feito, e que a interrupção da própria vida foi a melhor das decisões? 

Pois, no fundo, como continuar vivendo sendo um tetraplégico, né? 
Afffffff.... Mil vezes affffffffffffffff.

Minha avaliação pessoal (só por causa do cenário e da fotografia):
⭐⭐