terça-feira, 27 de setembro de 2016

TAG – EXPERIÊNCIAS LITERÁRIAS – agosto 2016

   Antes de mais nada, um esclarecimento: não há, ainda, postagem do livro recebido em julho porque, como se trata de uma obra clássica que eu já havia lido, aaaaaaaaaanos atrás, resolvi deixa-lo em stand by para uma releitura com mais calma. Quando, então, essa releitura tiver sido feita, vocês saberão qual foi o livro e quais as minhas impressões (sobre ele e o kit). Portanto...


Ok. 
Passemos, então, ao de agosto, que demorei muuuuuuuuito para postar (afffff.... Já estamos no final de setembro!), pelos motivos que vocês conhecerão mais adiante.

Ah, no kit, além destes mimos da foto, veio - também - uma trufa de chocolate. 
Que, obviamente, eu já comi.... 
kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Vamos lá: o que dizer de O CASAMENTO (leia AQUI a sinopse), do Nelson Rodrigues? Bem... Eu nunca havia LIDO nada do Nelson. Conhecia, apenas, algumas adaptações de suas peças teatrais para a TV, como a minissérie Engraçadinha e A Vida Como Ela É, que passava aos domingos, no Fantástico. Ou seja, reitero: meu primeiro contato com a escrita dele foi, justamente, com esta obra que, diga-se de passagem, é o único romance que ele escreveu. E, o que foi bastante legal, a revistinha da TAG (toda obra enviada é acompanhada por uma revistinha explicativa) nos esclareceu, um pouco, sobre o, digamos, modus operandi do autor:

“Mas a atrocidade de Nelson Rodrigues é premeditada. ‘A ficção, para ser purificadora, precisa ser atroz’, explica o escritor. ‘O personagem é vil, para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de cada um de nós. A partir do momento em que Anna Kariênina, ou Emma Bovary, trai, muitas senhoras da vida real deixarão de fazê-lo. No Crime e Castigo, Raskolnikov mata uma velha e, no mesmo instante, o ódio social que fermenta em nós estará diminuído, aplacado. Ele matou por todos. Para salvar a plateia, é preciso encher o palco de assassinos, de adúlteros, de insanos, e em suma, de uma rajada de monstros. São os nossos monstros, dos quais eventualmente nos libertamos, para depois recriá-los’.

E eu gosto disso. Gosto muito disso, dessa perspectiva. Mas, na boa.... Confesso que, embora eu já soubesse que teríamos a podridão humana retratada sem nenhum pudor, o livro me incomodou bastante. Impossível não compará-lo ao meu livro favorito da vida, Crônica da Casa Assassinada, que trata de temas igualmente (ou até mais) repugnantes. Mas, enquanto que este último usa, com brilhantismo, o abjeto e o vil apenas como uma isca para uma análise profundíssima do sofrimento humano, o do Nelson, a meu ver, patina na imundície com o propósito, único e exclusivo, de chocar a sociedade. Sem muitos aprofundamentos, sabe?

Por isso, a minha avaliação pessoal é:
⭐⭐⭐

Mas, eu não queria ser injusta com o autor, especialmente diante da explicação da revistinha. E, por isso, antes de fazer esta “resenha”, resolvi ler uma de suas peças, a famosa PERDOA-ME POR ME TRAÍRES (sinopse AQUI), que eu comprei na última feira do livro. 
E, sim, embora a temática tenha sido, como não poderia deixar de ser, suuuuuuuuper espinhosa, desta vez, a escrita me prendeu muito mais.



Ainda não sei se lerei outra obra do Nelson. 
Provavelmente, sim. 
Porque, como dito no posfácio deste último livro, “... o entrelaçamento da hipocrisia moral com as paixões desenfreadas, os porões e sótãos familiares onde todos perdem qualquer sombra de compostura, tudo isso não é a manifestação mórbida de um grupo isolado de excêntricos tresloucados. Nelson apresenta tais ações como reveladoras daquilo que todos sabem que ocorre, mas ninguém tem a coragem de expor.”.

Mas, definitivamente, não é um escritor que eu recomende a todo tipo de leitor. 
Não mesmo.